Oferecimento de Khata

Khata, a Echarpe da Felicidade

Khata - foto KTC

Khata – foto KTC

Conta-se que o rei do Tibete, Trisong Deutsen, que não era budista, andava muito ressentido com o respeito e a veneração que o povo do Tibete mostrava para com o grande mestre indiano Padmasambhava. Parecia-lhe, na verdade, que reverenciavam mais a Padmasambhava do que a ele mesmo. Assim, o rei decidiu assegurar-se que, quando o grande mestre o visitasse, todos os chefes do país veriam aquele a quem tanto honravam render homenagem a seu rei.

Khenpo Karthar Rinpoche - KTC, 2011

Khenpo Karthar Rinpoche – KTC, 2011

No dia da visita de Padmasambhava, todos os cortesãos compareceram para vê-lo render homenagem ao rei; este, com grande ansiedade, também esperava para conhecer o grande mestre. O altivo rei mal pôde ocultar o seu grande prazer quando Padmasambhava levantou os braços como que para prostrar-se diante do trono real; mas, ao invés disso, das mãos de Padmasambhava saíram chamas que alcançaram as roupas do rei, queimando-as em segundos. Enquanto os cortesãos tratavam de apagar as chamas a golpes, o rei, sufocado pela fumaça que subia de sua echarpe cerimonial, retirou-as dos ombros. Comprovando o grande poder do mestre o rei lançou-se aos pés de Padmasambhava em submissão, e lhe ofereceu a echarpe em sinal de humildade. Padmasambhava aceitou a echarpe, mas logo a devolveu ao rei, colocando-a ao redor do seu pescoço, como um signo de benção e da vitória da autoridade sacerdotal sobre o poder temporal.

E assim, diz-se no Tibete, terra de poucas flores, que Padmasambhava estabeleceu o oferecimento de khatas de felicidade, como demonstração de respeito.

Khata - foto KTC

Khata – foto KTC

A Khata é uma tira comprida de tecido, geralmente branca, uma espécie de longa echarpe, que pode ser confeccionada com diferentes tipos de tecido, desde a seda até gaze atesada com pó de arroz. Literalmente significa “tecido que une” e simboliza o laço que se estabelece entre aquele que oferece e o que a recebe. (Fonte: JAYANG RINPOCHE. Contos populares do Tibete: os mais belos diálogos da literatura budista. São Paulo: Landy, 2000. p. 45-46. Trad. de Lenis. E. Gemignani de Almeida.)

O oferecimento de Khata

Khenpo Ugyen Tenzin - KTC, 2011

Khenpo Ugyen Tenzin – KTC, 2011

Em ocasiões nas quais solicitamos algo de um mestre, é apropriado e usual oferecer flores, incenso, frutas, dinheiro etc. Essas oferendas são feitas à mente de Buda que percebemos em nosso mestre.

Alguns exemplos dessas situações são: quando solicitamos e recebemos um ensinamento; instruções específicas de práticas; uma iniciação ou uma entrevista; quando tomamos refúgio; quando pedimos para que uma estátua, uma thangka ou uma casa sejam consagradas; quando solicitamos a realização de práticas rituais específicas em benefício próprio ou de entes queridos; em ocasiões como cerimônias de casamento, de apresentação de um recém nascido, entre outras.

Inúmeros outros itens podem ser utilizados como oferenda. O dinheiro, por exemplo, em muitos casos revela-se como uma oferenda prática, com maior utilidade, e deve ser ofertado dentro de um envelope, geralmente acompanhado com uma khata.

Oferecimento de khata - foto KTC

Oferecimento de khata – foto KTC

Cumpre ressaltar que as oferendas em dinheiro, além de proverem as necessidades dos Lamas e Rinpoches – que não ganham nada pelos serviços que prestam – beneficiam, antes de mais nada, o próprio doador, já que se constituem em uma oportunidade sublime para expressar e gerar, em nossa mente, o hábito de se praticar a generosidade. Por esse motivo, as oferendas são poderosos antídotos contra a ignorância e apego a uma individualidade egóica e egoísta, bem como, contra a avareza que decorre dessas visões errôneas. O hábito de se efetuar oferendas gera, sobretudo, acumulações da qualidade da generosidade e de mérito, que se constituem como condições indispensáveis para se alcançar o estado búdico.



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