Sobre a prática de Mahakala – por Khenpo Karthar Rinpoche

Mahakala Bernachen, pintura feita por S.S. XVII Karmapa Ogyen Trinle Dorje

Mahakala Bernachen, pintura feita por S.S. XVII Karmapa Ogyen Trinle Dorje

Em uma PUJA (ou um RITUAL DE PRÁTICA DE SADHANA), invocamos e dirigimo-nos ao Guru, ao Yidam e às Três Raízes, ou, neste caso, ao protetor, Mahakala, que também pode ser entendido como a personificação das Três Raízes. Nosso foco principal em uma puja é a atividade iluminada que permeia o tempo e o espaço. Levando-se em conta que os Yidams (deidades budistas iluminadas) estão mais especificamente relacionados com o aspecto ativo do Dharma, é através de seus nomes que suas atividades se tornam óbvias. Quando o ritual de Mahakala está sendo realizado, o protetor aparece na forma de uma divindade irada. Isso não quer dizer que Mahakala seja feroz ou agressivo. Mahakala não é nada mais do que a inseparabilidade entre a compaixão e a generosidade amorosa. Do ponto de vista da sabedoria mais elevada, não há separação entre Mahakala e a Mente Desperta de Buda. Mahakala é a manifestação da mente desperta.

Apresentando-se de forma muito majestosa e esplêndida – apesar de assustadora – Mahakala está cercado por uma montanha de chamas para simbolizar que nenhum inimigo será capaz de enfrentar a sua aparência. A faca curva e afiada que o protetor mantém erguida em uma das mãos simboliza a eliminação dos padrões negativos, tais como agressão, ódio, ignorância – qualquer um dos cinco venenos. Nenhuma neurose ou negatividade conseguirá tolerar essa forma tão majestosa. A forma assustadora simboliza Mahakala como totalmente desprovido de medo ou hesitação em seu espontâneo – mas consistente – trabalho para beneficiar e liberar todos os seres.

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Mahakala Bernachen

Mahakala Bernachen

Mahakala é representado de pé, em cima dos cadáveres de dois corpos humanos, simbolizando, dessa maneira, a morte das negatividades e o completo desenraizamento dos padrões negativos – a tal ponto que, como um corpo morto, eles jamais voltem a viver. É muito importante conhecermos esses símbolos relacionados ao Mahakala porque muitas vezes temos a equivocada impressão de que ele pode ser um espírito obsessor ou perigoso, um ser maligno, talvez até o próprio Senhor da Morte pronto para atacar e devorar. Poderíamos encontrar grandes dificuldades em lidar com esses diversos símbolos caso não entendêssemos que nossa compaixão despertada é a qualidade essencial da figura de Mahakala. Nunca se ouviu falar que Mahakala tenha ferido alguém, mesmo que de forma muito branda, pois ele está o tempo todo beneficiando os seres através da constante atividade de sua mente iluminada.

Uma atitude apropriada e uma sincera motivação são necessárias quando participamos de rituais. Devemos suplicar para que, através de tal participação, nossas negatividades sejam completamente removidas e que a proteção e a orientação dos seres iluminados permaneçam inseparáveis de nós mesmos até que tenhamos atingido um perfeito despertar. Pedimos para que nossa presença durante o ritual e nossa invocação possam contribuir para uma contínua paz mundial, para a harmonia, a amizade, felicidade, compreensão, boa vontade e também para que todos os seres fiquem livres dos padrões negativos que causam o caos. Pedimos para que as bênçãos e a presença das deidades iluminadas e despertas se espalhem em todas as direções. Com essa atitude, nossa participação nas pujas será a mais produtiva e benéfica possível.

Extraído de um ensinamento ministrado pelo Venerável Khenpo Karthar Rinpoche, no dia 2 de fevereiro de 1981, no Karma Triyana Dharmachackra. Traduzido para o inglês por Ngodrup Burkar e editado por Agnes M. Ruch. Original disponível em: http://www.kagyu.org/kagyulineage/buddhism/dev/dev02.php 

Traduzido para o português por Cláudia Marcanth.



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